A relação entre uso da terra, mudanças climáticas e segurança de recursos está passando por uma transformação profunda, que traz oportunidade para o agronegócio brasileiro assumir a liderança dessa agenda no cenário global. Porém, há poucos sinais de que o setor esteja disposto a assumir esse papel, escreve Roberto Waack em artigo publicado no Estadão em 26 de fevereiro de 2026.
O contexto é o de um cenário geopolítico marcado por incertezas. Em meio ao enfraquecimento do multilateralismo e o fortalecimento de acordos bilaterais ou regionais, estão acontecendo disputas relacionadas a diferentes dimensões de segurança — territorial, energética, mineral e alimentar. O crescimento populacional e a expansão da classe média em países como China e Índia, por exemplo, aumentam a demanda global por alimentos.
Esse cenário indica que muitas das soluções para esses desafios passam diretamente pelo uso da terra e pela gestão de recursos naturais, o que amplia a relevância estratégica do setor agroindustrial.
Roberto argumenta que o Brasil tem experiência acumulada em lidar com incertezas — seja no campo econômico, político ou regulatório —, e isso também se reflete na agropecuária. A diversidade de experiências e visões dentro do agronegócio brasileiro, embora muitas vezes dificulte a articulação política do setor, pode ser justamente um dos fatores que ampliam sua capacidade de encontrar soluções inovadoras em contextos imprevisíveis.
Além disso, os produtores rurais têm papel central, afirma Roberto, na conservação ambiental. Com a implementação do Código Florestal, cerca de 45% das áreas florestais protegidas, o que representa aproximadamente 215 milhões de hectares, está localizada em propriedades rurais privadas. Esse patrimônio configura um grande estoque de capital natural, e a monetização dos serviços ecossistêmicos — como regulação climática, conservação da biodiversidade e proteção de recursos hídricos — tende a ganhar importância crescente.
O artigo também aborda um ponto delicado, que é a crescente contestação e distanciamento da população de regiões com a Amazônia à atuação de organizações ambientalistas com projetos que não conseguem gerar alternativas econômicas sustentáveis no longo prazo. Segundo Roberto, cresce a pressão por abordagens mais pragmáticas, que conciliem conservação ambiental com desenvolvimento econômico e inclusão social.
“O fato é que a agenda climática e de recursos naturais passou a ser econômica. Sem juízo de valor sobre essa condição, é evidente que o agronegócio brasileiro tem todos os elementos para liderar a pauta climática e da natureza no âmbito global”, afirma o texto.
Porém, Roberto ressalta que a legitimidade dessa liderança depende de um compromisso claro do setor em se distanciar de práticas ilegais relacionadas ao uso da terra, como o desmatamento ilegal.
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[Foto: ILPF com bovino. Kélem Cabral/Embrapa]

