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Agro e florestas, uma aliança positiva inquestionável

por | 03/07/2026 | Mudanças climáticas, Sustentabilidade

Em artigo publicado no Estadão em 25 de junho de 2026 – Agro e florestas, uma aliança positiva inquestionável –, Roberto Rodrigues, professor emérido da Fundação Getulio Vargas, e Roberto Waack defendem  que a aparente oposição entre produção agropecuária e conservação ambiental não encontra respaldo na realidade brasileira. Com base em dados apresentados na segunda edição do documento O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global, os autores afirmam que agro e florestas devem ser vistos como aliados e não como interesses conflitantes.

“A relação do agronegócio com as florestas, a partir da premissa de desmatamento ilegal zero, além do imenso potencial econômico, tem reflexos sociais e ambientais inquestionáveis. Não há nenhum país do mundo onde essa relação possa se estabelecer como no Brasil”, destacam os autores.

Uma parcela significativa das florestas brasileiras está localizada em propriedades privadas voltadas à produção agropecuária. De 517 milhões de hectares do país cobertos por formações florestais (61% do território nacional), 215 milhões de hectares estão em áreas privadas, assentamentos rurais ou em terras ainda não destinadas.

A completa implementação do Código Florestal e a validação do CAR deverão trazer, no futuro, números mais precisos, mas descontando-se as áreas não formalmente destinadas, tem-se hoje aproximadamente 160 milhões de hectares de conservação em Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais (RL) em áreas privadas e assentamentos rurais. Para os autores, esse papel da agropecuária na conservação precisa ser mais amplamente reconhecido.

O artigo também ressalta que a conservação das florestas beneficia diretamente a produção rural. Além de armazenarem carbono, as formações florestais garantem serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do ciclo da água, a proteção dos solos, a conservação da biodiversidade e a maior resiliência da agricultura frente aos eventos climáticos extremos. Nessa perspectiva, os autores apresentam o conceito de “contínuo florestal”, em que florestas nativas, áreas em restauração e florestas plantadas desempenham funções complementares dentro da paisagem produtiva.

Por fim, o artigo defende que essa relação de complementaridade entre agro e florestas deve ser acompanhada por mecanismos capazes de reconhecer economicamente o capital natural conservado nas propriedades rurais. Instrumentos como pagamentos por serviços ambientais, mercados de carbono e outras formas de valoração dos serviços ecossistêmicos são apontados como caminhos para incentivar a conservação e fortalecer essa aliança entre produção e proteção da vegetação nativa.

Leia o artigo completo aqui.

[Foto: Giovani Nunes/Pexels]

 

ROBERTO S. WAACK

É membro dos conselhos da Marfrig, Wise Plásticos, WWF Brasil, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú e visiting fellow do Hoffman Center da Chatham House (Londres). Tem uma longa carreira como executivo e como empreendedor, tendo atuado em empresas nas áreas farmacêutica, de biotecnologia e florestas. Foi CEO da Fundação Renova, entidade responsável pela reparação do desastre de Mariana (MG), co-fundador e CEO da Amata S.A. e CEO da Orsa Florestal, além de diretor da Boehringer Ingelheim e Vallée. S.A. É cofundador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Atuação profissional com concentração em governança, planejamento e gestão estratégica, gestão tecnológica&inovação e sustentabilidade. Formado em biologia e mestre em administração de empresas pela USP.

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