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Capital natural como uma classe de ativos

por | 07/08/2025 | Gestão tecnológica e inovação, Mudanças climáticas, Sustentabilidade

No artigo “Capital natural como uma classe de ativos”, publicado no Estadão em 31 de julho, Roberto Waack analisa que, para que a conservação e a regeneração da natureza sejam reconhecidas como uma classe de ativos, atraindo um fluxo de investimentos em volume e regularidade, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Para que esse fluxo de recursos exista, é preciso construir um ambiente com funcionamento conhecido e regras claras. Porém, quando se trata de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, são muitos os desafios para caracterizá-los e monitorá-los, pois ainda pouco se conhece sobre eles. A biodiversidade é complexa e sofisticada, envolvendo desde o nível genético até a escala da paisagem, ou seja, como se dão as interações que existem entre seres vivos e o meio.

As novas tecnologias e o avanço da Inteligência Artificial (IA) podem ajudar a avançar nessa busca por um entendimento da natureza e seus serviços ecossistêmicos, mas restam muitas questões relacionadas a metodologias e padronizações, dada a dificuldade, por exemplo, de medir e comparar dados.

“A migração de incertezas biológicas para o mundo da gestão de riscos é essencial para que o capital natural se transforme em uma classe de ativos. Há ainda grandes desafios (e riscos) no desenho de modelos de como manter ou reconstruir operacionalmente este capital”, escreve Roberto. “Pouco se conhece sobre métricas de produtividade e monitoramento, e menos ainda sobre como a construção de valor pode se dar em cadeias de produtos e serviços derivados.”

Quando se fala em capital natural, ela é também muito associada ao uso da terra, o que remete a outras questões desafiadoras, como a regularização fundiária e os impactos das mudanças climáticas.

No entanto, esse cenário está mudando, com o aparecimento, aos poucos, de taxonomias e metodologias de caracterização, mensuração, monitoramento e valoração da biodiversidade, assim como mecanismos de gestão de riscos. Conforme o conhecimento avança e a natureza é cada vez mais vista como infraestrutura essencial para o bem-estar humano, os custos de transação financeira relacionada aos riscos e complexidade devem ser reduzidos e deve-se consolidar o caminho para que o capital natural se transforme em classe de ativos.

Leia o artigo completo aqui.

[Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil]

 

ROBERTO S. WAACK

É membro dos conselhos da Marfrig, Wise Plásticos, WWF Brasil, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú e visiting fellow do Hoffman Center da Chatham House (Londres). Tem uma longa carreira como executivo e como empreendedor, tendo atuado em empresas nas áreas farmacêutica, de biotecnologia e florestas. Foi CEO da Fundação Renova, entidade responsável pela reparação do desastre de Mariana (MG), co-fundador e CEO da Amata S.A. e CEO da Orsa Florestal, além de diretor da Boehringer Ingelheim e Vallée. S.A. É cofundador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Atuação profissional com concentração em governança, planejamento e gestão estratégica, gestão tecnológica&inovação e sustentabilidade. Formado em biologia e mestre em administração de empresas pela USP.

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