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Economia, mudanças climáticas e amígdala

por | 05/08/2026 | Estratégias, Governança, Mudanças climáticas

A incerteza trazida pelas mudanças climáticas, pela geopolítica e novas tecnologias com a Inteligência Artificial representa um desafio que influi na forma como o cérebro age para tomar decisões. Em novo artigo publicado no Estadão, em 30 de julho de 2026, Roberto Waack e William Cerantola, coordenador do Curso de Neurociências Aplicada à Gestão de Pessoas pelo Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, exploram a conexão entre neurociências, economia e gestão.

O texto aborda, inicialmente, a relação entre processos decisórios racionais e emocionais – algo que vem sendo estudado há décadas, inclusive por especialistas premiados com o Nobel (como Herbert Simon e Daniel Kahneman). A racionalidade é limitada em razão de informações limitadas. Assim, “as respostas decisórias derivadas das limitações cognitivas acabam recaindo sobre escolhas que atendam a um nível aceitável de satisfação do binômio emoção-razão, não necessariamente atendendo aos desafios da incerteza”, afirmam os autores.

Do ponto de vista da evolução humana, a emoção precede a razão na hora de decidir, explicam Roberto e William. Neurocientistas como Antonio Damásio afirmam que “nós não somos máquinas de pensar que sentem, mas máquinas de sentir que pensam”. A percepção acerca da relação entre emoção e razão em processos decisórios tem levado empresas e diferentes lideranças a se debruçarem sobre temas e práticas de gestão das emoções e saúde mental.

Sob o aspecto científico, a incerteza é algo que ativa a amígdala, estrutura do cérebro que funciona como centro de detecção de ameaças. Essa reação libera hormônios de estresse e faz com que as funções executivas sejam suprimidas, explica o artigo.

As mudanças climáticas trazem um cenário de dificuldade em avaliar os impactos sobre diferentes regiões, custos futuros de produção, comportamento de consumidores, o que tende a desencadear tais reações do cérebro.

Saber disso pode ajudar a lidar melhor com esses desafios, apontam os autores.

“A forma como percebemos nossas emoções e como encaramos a mudança pode alterar nossa percepção de uma incerteza desconfortável para uma potencial curiosidade, ativando mecanismos de busca, exploração e solução pelo cérebro.”

Leia o artigo completo aqui.

[Foto: Marek Piwnicki/Pexels]

ROBERTO S. WAACK

É membro dos conselhos da Marfrig, Wise Plásticos, WWF Brasil, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú e visiting fellow do Hoffman Center da Chatham House (Londres). Tem uma longa carreira como executivo e como empreendedor, tendo atuado em empresas nas áreas farmacêutica, de biotecnologia e florestas. Foi CEO da Fundação Renova, entidade responsável pela reparação do desastre de Mariana (MG), co-fundador e CEO da Amata S.A. e CEO da Orsa Florestal, além de diretor da Boehringer Ingelheim e Vallée. S.A. É cofundador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Atuação profissional com concentração em governança, planejamento e gestão estratégica, gestão tecnológica&inovação e sustentabilidade. Formado em biologia e mestre em administração de empresas pela USP.

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