Em artigo publicado no Estadão, em 30 de outubro de 2025, Roberto Waack e Beto Veríssimo, enviado especial de Florestas da COP 30 e cofundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), explicam que as florestas do Brasil ocupam um papel central na agenda climática global e como podem, também, ser instrumento para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.
As formações florestais brasileiras armazenam vastos estoques de carbono, abrigam uma das maiores biodiversidade do planeta e regulam os ciclos hídricos. Além disso, o país também é referência mundial na silvicultura de florestas plantadas e tem visto crescer a atividade de restauração, aproveitando a janela de oportunidade do mercado de carbono.
Essa diversidade de cobertura florestal define o conceito de contínuo florestal, que inclui as florestas nativas conservadas (públicas e privadas), as atividades de restauração com espécies nativas, a silvicultura de espécies nativas e exóticas e os sistemas agroflorestais, que combinam florestas com produção de alimentos, fibras e energia e, em todas essas frentes, o Brasil exibe avançadas tecnologias.
Os autores destacam que o país conta ainda com diversos arcabouços legais e programas para conter o desmatamento e conservar áreas de vegetação nativa, além de mecanismos que remuneram quem mantém as florestas em pé, como o recente Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Lembram, ainda, que a conservação de vegetação nativa está intrinsecamente conectada à presença de povos originários e que existem leis para assegurar a proteção de terras indígenas. O Código Florestal, por sua vez, promove a preservação de áreas de vegetação nativa em propriedades rurais.
Com tantas florestas, o estoque de carbono florestal no Brasil é de cerca de 218 gigatoneladas de CO2e (sem contar carbono do solo), o maior do planeta, equivalente a cerca de 15% do total mundial. O país pode aumentar esse estoque, mas é necessária uma combinação de esforços, como a redução drástica do desmatamento e o aumento das atividades de restauração florestal com espécies nativas e silvicultura.
Assim, o país reúne as condições naturais, geográficas, excelência acadêmica (em ecologia, manejo e silvicultura), tecnológicas e empresariais e políticas públicas que permitem ambicionar uma participação ainda maior do setor florestal na economia e no enfrentamento do clima, afirmam os autores. O país pode liderar mercados como o de carbono, e o agronegócio brasileiro também pode ser protagonista mundial na associação do capital natural com as demandas globais de segurança alimentar e energética.
As florestas, portanto, são instrumentos para a promoção do desenvolvimento econômico aliado a demandas sociais e ambientais, concluem Roberto Waack e Beto Veríssimo.
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[Foto: Bruno Cecim/Agência Pará]

