O agronegócio brasileiro é detentor do maior capital natural privado do planeta. A estimativa é que, com o cumprimento do Código Florestal, o país terá mais de 220 milhões de hectares de áreas preservadas em propriedades rurais, mais do que todos os países da Europa Central e Meridional juntos.
Apesar da percepção entre muitos proprietários de imóveis rurais de que conservar significa perda de áreas que poderiam ser destinadas à produçãodos e dos desafios que também enfrentam para a manutenção de áreas naturais em suas propriedades, há o consenso, nos ambientes financeiros e empresariais, de que o capital natural valerá mais no futuro do que vale hoje.
Em artigo publicado no Estadão, em 29 de maio de 2025, Roberto Waack fala sobre como o agronegócio deveria ser o principal interessado nessa valorização do capital natural. A recente incorporação de elementos relacionados aos capitais natural e social aos sistemas contábeis, liderados pelo IFRS (sigla em inglês para Normas Internacionais de Relatório Financeiro), pode significar mudança nessa direção.
Nesse contexto, vale lembrar a riqueza que o Brasil possui em termos de biodiversidade. O conhecimento sobre ela se torna cada vez mais acessível com o trabalho de organizações como o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA). O CRIA viabilizou o desenvolvimento de um dos maiores sistemas de informação sobre biodiversidade do planeta, a rede species que, no final de 2024, reunia cerca de 18 milhões de registros e 6,5 milhões de imagens.
Para Roberto, a inserção cientifica internacional do CRIA equivale, com a devida licença poética, ao sucesso global do agronegócio brasileiro, que, nesse mesmo ano de 2024, alcançou PIB de R$ 2,7 trilhões. Assim, o agronegócio e a biodiversidade apresentam números expressivos, e deveriam falar entre si. “O reconhecido poder político da agroindústria nacional poderia voltar-se para estabelecer pontes entre os contundentes números da produção, das vendas e do volume de áreas protegidas privadas com as iniciativas da ciência nacional voltadas para o capital natural”, escreve Roberto.
O maior interessado em que o capital natural tenha valor econômico é o agronegócio, que poderia surfar na conexão da produção com a conservação ambiental.
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[Foto: Matt Seymour/Unsplash]

