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Planejamento de longo prazo para logística na Amazônia é crítico para demandas de curto prazo

por | 01/09/2025 | Amazônia, Gestão tecnológica e inovação, Mudanças climáticas

A história da logística na Amazônia se parece com a do livro Baudolino, do escritor italiano Umberto Eco: envolve uma profusão de stakeholders e um roteiro de alta complexidade em torno do desenvolvimento da região, escreve Roberto em artigo publicado no Estadão em 28 de agosto de 2025.

Assim como no caso de Baudolino e suas moderadas e grandiosas mentiras, a discussão em torno do desafio da logística na região amazônica é formada por fragmentos desconexos, com falcatruas, trapaças, estórias e histórias, escreve Roberto. O Brasil carece de um plano de longo prazo, devidamente articulado, que seja capaz de impedir que as decisões sobre investimentos na infraestrutura da Amazônia se fundamentem, sobretudo, “em narrativas com consequências desastrosas”.

A discussão sobre modais de transporte praticamente inexiste e há muitos debates viesados, alerta. Paradigmas precisam ser atualizados, como a visão simplista de que a construção de obras de infraestrutura é necessariamente danosa ao meio ambiente.

Segundo Roberto, estudos da EsalqLog mostram paradoxos sobre densidade ferroviária versus produção agrícola. O estado do Mato Grosso, por exemplo, apresenta a maior demanda de uso de ferrovias para longas distâncias, mas a menor oferta de extensão ferroviária. Cerca de 70% do custo logístico para exportação para a China, localizada a milhares de quilômetros de distância, correspondem ao transporte interno, ainda dentro do Brasil.

Outro estudo, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), indica a necessidade urgente de um rebalanceamento da matriz de cargas, que priorize modais com menor fator de emissão de carbono por toneladas transportadas por quilômetro, como é o caso da ferrovia e da hidrovia, em comparação ao transporte rodoviário. Porém, há falta de mais estudos ou mesmo de esclarecimentos sobre os impactos de cada modal. No artigo, Roberto avalia os benefícios e os desafios dos transportes ferroviário e hidroviário, bem como avanços em tecnologias do transporte rodoviário.

A falta de infraestrutura na Amazônia se agrava, ainda, com o adensamento urbano, impactando o escoamento de produtos e a crescente atividade sociobioeconômica, além do atendimento a necessidades básicas como saúde e educação.

É preciso equacionar polêmicas inconclusas para promover ações concretas na Amazônia, uma das regiões de maior valor de capital natural do planeta, conclui Roberto.

Leia o artigo completo aqui.

[Foto: Divulgação/Agência Pará]

 

ROBERTO S. WAACK

É membro dos conselhos da Marfrig, Wise Plásticos, WWF Brasil, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú e visiting fellow do Hoffman Center da Chatham House (Londres). Tem uma longa carreira como executivo e como empreendedor, tendo atuado em empresas nas áreas farmacêutica, de biotecnologia e florestas. Foi CEO da Fundação Renova, entidade responsável pela reparação do desastre de Mariana (MG), co-fundador e CEO da Amata S.A. e CEO da Orsa Florestal, além de diretor da Boehringer Ingelheim e Vallée. S.A. É cofundador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Atuação profissional com concentração em governança, planejamento e gestão estratégica, gestão tecnológica&inovação e sustentabilidade. Formado em biologia e mestre em administração de empresas pela USP.

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