O Brasil pode ampliar sua cobertura florestal em 8 milhões de hectares até 2035 (uma área equivalente ao estado de Santa Catarina, ou a duas Suíças), segundo o estudo “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”, lançado na Conferência do Clima em Belém – COP 30. A publicação projeta que o país pode passar de 517 milhões de hectares para 525 milhões de hectares de florestas em dez anos.
A publicação aponta os desafios e caminhos para que isso aconteça, e o país consiga reverter a curva de perda de cobertura vegetal e passe a ter ganho líquido de florestas, com aumento no estoque de carbono nas florestas.
O estudo foi elaborado a partir de uma colaboração entre Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Imazon, Amazônia 2030, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Uma Concertação pela Amazônia e Página 22.
“Nas frentes de Conservação, Restauração Florestal e Silvicultura, o Brasil é protagonista, com sólido arcabouço legal de proteção às florestas, avanços no campo da restauração florestal, incluindo oportunidades para a iniciativa privada e a maior competitividade na área de produção de árvores exóticas”, ressalta a publicação. Essas três frentes são abordadas na obra a partir da perspectiva do contínuo florestal, conceito que compreende uma visão das diversas paisagens com fitofisionomia florestal ao longo de um território.
O levantamento apresenta dois cenários para o futuro das florestas e seu impacto nos estoques de carbono. No cenário base, o país manteria os níveis atuais de desmatamento, o que representaria uma perda de 1% do estoque de carbono até 2035. Já o cenário potencial leva em conta o alcance das metas de desmatamento zero previstas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil. Combinado ao crescimento das atividades de restauração e silvicultura, esse segundo cenário permitiria um aumento de 1% no estoque de carbono, algo inédito na história recente.
O documento também propõe uma mudança de paradigma: transformar o capital natural e as soluções baseadas na natureza, em especial as florestas, em uma classe de ativos de grande atratividade para o mercado financeiro.
Além disso, o estudo destaca a importância de remunerar comunidades que mantêm os ecossistemas e as florestas em pé. Mecanismos como o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), lançado pelo governo brasileiro na COP, e o REDD+ Jurisdicional são citados como propostas promissoras.
Com cerca de 40% das florestas tropicais do planeta, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil detém também o maior potencial de restauração florestal do mundo. A nova análise reforça que essa condição coloca o país no centro da agenda climática internacional, podendo se tornar um modelo global de transição climática e econômica baseada na natureza, além de um símbolo do equilíbrio possível entre produção, conservação e prosperidade.
A publicação completa está aqui. O Sumário Executivo pode ser acessado neste link.
A versão em inglês do documento completo está neste link, e o Sumário Executivo em inglês está aqui.
Também é possível acessar os documentos pelo site do Instituto Arapyaú.

