O Instituto Arapyaú acumulou uma vasta experiência em fomento a redes. Algumas dessas redes conquistaram autonomia e ganharam escala, mostrando como o instituto se consolidou como um incubador de redes, além de reforçar o papel fundamental da filantropia para promover mudanças sistêmicas.
Esse aprendizado foi sistematizado e é apresentado na publicação “Atuação em redes para transformações sistêmicas”, lançado pelo instituto no final de 2025. Nessa obra, Roberto Waack, presidente do Conselho do Arapyaú, assina o texto “Governando a complexidade: redes como resposta a problemas indomáveis”, em que defende que as redes são a melhor forma de lidar com os chamados “wicked problems”, ou problemas indomáveis.
Esse conceito se refere a situações em que não há clareza sobre os problemas ou soluções para eles. E essas situações estão se tornando cada vez mais frequentes no mundo atual, onde “a nova ordem é a desordem contínua e provocada”, avalia Roberto. Nesses cenários, diferentes grupos sociais, com interesses diversos e mesmo contraditórios, precisam encontrar soluções coletivas, ainda que nem todos estejam satisfeitos.
Segundo Roberto, para os desafios atuais, como clima, segurança energética e depleção e recursos naturais, em meio a um contexto geopolítico de enfraquecimento do multilateralismo, as redes formadas justamente por diferentes atores se mostram potentes, pois a” diversidade dos envolvidos é também o terreno fértil onde soluções são testadas, erros e acertos acumulados, e o conhecimento se torna patrimônio compartilhado”.
No entanto, as próprias redes também são complexas em sua governança e tomadas de decisões, demandando negociações contínuas e aprendizagem coletiva, alerta o texto. A experiência aponta que uma das melhores formas de atuação das redes é gerar consentimentos (em vez de consensos), um caminho realista e produtivo para responder aos desafios complexos da atualidade, marcados por dinamismo e interesses em tensão.
A publicação do Arapyaú “pretende inspirar novas lideranças, fortalecer capacidades coletivas e ampliar o poder transformador da sociedade organizada em direção às mudanças civilizatórias que o mundo, cada vez mais, parece exigir”, conclui Roberto.
Entre as redes fomentadas pelo Arapyaú ao longo de sua história estão a Agência de Desenvolvimento Regional Sul da Bahia (ADR); Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura; Conexão Povos da Floresta; MapBiomas; Rede Agroecologia Povos da Mata; Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS;) e Uma Concertação pela Amazônia.
A publicação traz ainda obras da artista têxtil Nara Guichon, que, desde os anos 1980, cria trabalhos entrelaçando fios, fibras reaproveitadas e imagens da Mata Atlântica.
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