Com a crescente valorização do capital natural, novos modelos de negócios baseados na monetização e gestão de serviços ecossistêmicos estão aparecendo, lideradas pelas NACs – Natural Assets Companies. Essas companhias e as atividades inovadoras que estão surgindo em torno dessa nova classe de ativos são o tema de um artigo publicado no Estadão, em 26 de março de 2026, por Izabella Teixeira (ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016), Guilherme Quintella (presidente da Estação da Luz Participações) e Roberto Waack.
Citando o documento “‘Natural Asset Companies’ Could Finally Make Healthy Ecosystems Investable”, elaborado pelo World Resources Institute (WRI), os autores explicam que as NACs são empresas que detêm o direito econômico sobre serviços ecossistêmicos como regulação climática, controle de erosões, pragas e poluentes, qualidade nutricional de solos, provimento hídrico, mineral e genético e resiliência climática.
As atividades em torno dessa nova maneira de gerir ativos naturais incluem analisar, caracterizar, dimensionar e produzir relatórios tecnicamente sofisticados sobre os diferentes componentes dos ativos naturais – ou derivativos do capital natural, bem como consolidar esses dados. Também envolve certificadores, auditores e verificadores independentes, em geral conectados com entidades públicas voltadas para o registro das informações.
Nesses novos modelos de negócios, são importantes aliadas as tecnologias avançadas, como sensores, drones e inteligência artificial para coletar dados, medir, auditar e digitalizar o capital natural. Os serviços ecossistêmicos são, portanto, tratados como ativos produtivos, mensuráveis e tangíveis.
Do lado da demanda, o mercado é impulsionado por empresas que buscam neutralizar externalidades negativas devido a pressões fiscais e reputacionais, além de fundos de investimento que apostam na valorização futura do capital natural.
“A transformação do capital natural em uma classe de ativos depende de regras do jogo claras e previsíveis, que proporcionem convergência de riscos, retornos, preços e temporalidades. O desenvolvimento de metodologias de caracterização deste capital, incluindo métricas, instrumentos de monitoramento, valoração, monetização e comércio, são essenciais. Nesse contexto, é bastante relevante o surgimento desse conjunto de empreendimentos envolvendo ativos naturais”, afirmam os autores.
O assunto tem polêmicas abertas. Há debates éticos sobre a monetização dos serviços ecossistêmicos, mas especialistas como Pavan Sukhdev defendem que a invisibilidade econômica da natureza deve cessar para garantir sua proteção.
As NACs não são necessariamente proprietárias de terras , e é evidente que o principal ator nesse campo são os detentores das terras que abrigam os ativos naturais, especialmente florestas. O Brasil ocupa uma posição de vanguarda nesse cenário. De acordo com o documento “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”, lançado na COP30, em Belém, aproximadamente 40% das áreas protegidas no País – em torno de um quarto do tamanho do continente europeu – estão em propriedades privadas do agronegócio brasileiro. Para os autores, “o jogo está aberto, novos modelos de negócio estão se consolidando e o agronegócio, cada vez mais envolvido. O Brasil detém todas as condições para liderar o mundo das NACs.”
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[Foto: Fernando Sette/Divulgação/Agência Pará]

