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Há uma janela histórica no mercado global de carbono; e o Brasil tem de aproveitá-la

por | 30/05/2026 | Estratégias, Mudanças climáticas

A demanda por créditos de carbono no mundo é concreta e crescente, e a construção da arquitetura de um mercado global para a sua comercialização está avançando. O Brasil pode ser protagonista nesse cenário e precisa aproveitar essa oportunidade, escrevem Roberto Waack, Izabella Teixeira (ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016) e Mariana Barbosa (diretora da empresa re-green), em artigo publicado no Estadão em 28 de maio de 2026. Um dos fatores que pode contribuir para o país alcançar essa posição é promover a restauração florestal em escala.

Projeção feita pelo Oxford Institute for Energy Studies aponta que a demanda global por ITMOs (crédito de carbono negociado entre países) ultrapassará 700 milhões de toneladas até 2030. A Europa está definindo regras de cap and trade, que podem representar um mercado anual de US$ 19 bilhões. E o Brasil, segundo estudos da consultoria McKinsey, detém 15% do potencial global de soluções baseadas na natureza para remoção de carbono. Portanto, as florestas brasileiras poderiam retirar da atmosfera uma quantidade expressiva de gases que causam a mudança climática, e o país poderia vender os créditos correspondentes a outros que precisam adquiri-los no mercado.

Porém, segundo os autores, existe o receio, no Brasil, de que conceder ajustes correspondentes comprometeria a capacidade do país de cumprir a sua NDC, pois tornaria a meta mais ambiciosa do que já é. Isso porque um país que venda ITMOs precisa aumentar, de forma correspondente, a meta de redução de emissões de gases de efeito estufa. Mas, destacam, o raciocínio deveria ser o inverso. Cumprir as metas da NDC brasileira requer muitos projetos viáveis de remoção de carbono, sendo que a restauração florestal em escala oferece oportunidade ampla e eficiente para isso e para gerar esses créditos, e os recursos provenientes dos ITMOs são fundamentais para viabilizar economicamente esses projetos.

“Ao permitir que créditos gerados pela restauração florestal em escala sejam exportados, o governo brasileiro contribuirá para que essa nascente indústria cresça, atraindo investimentos, promovendo desenvolvimento, gerando empregos e restaurando florestas”, afirmam.

Os autores destacam que a COP 30, realizada em Belém em 2025, avançou nas regras do Artigo 6 do Acordo de Paris e “deixou uma mensagem inequívoca: não há mais espaço para promessas, a hora é da implementação”. O Brasil sediou o evento mais importante da história climática recente no coração da maior floresta tropical do planeta, projetou liderança – e agora precisa honrar essa imagem.

As decisões para liderar esse mercado precisam ser tomadas hoje, concluem os autores.

Confira o artigo completo aqui.

[Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará]

 

ROBERTO S. WAACK

É membro dos conselhos da Marfrig, Wise Plásticos, WWF Brasil, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú e visiting fellow do Hoffman Center da Chatham House (Londres). Tem uma longa carreira como executivo e como empreendedor, tendo atuado em empresas nas áreas farmacêutica, de biotecnologia e florestas. Foi CEO da Fundação Renova, entidade responsável pela reparação do desastre de Mariana (MG), co-fundador e CEO da Amata S.A. e CEO da Orsa Florestal, além de diretor da Boehringer Ingelheim e Vallée. S.A. É cofundador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Atuação profissional com concentração em governança, planejamento e gestão estratégica, gestão tecnológica&inovação e sustentabilidade. Formado em biologia e mestre em administração de empresas pela USP.

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